Astronomia: Mito da Origem do Mundo | Cosmos e Astronomia

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Um dos temas recorrentes na mitologia e cosmologia dos Povos Indígenas do Uaçá é a água: a chuva – símbolo de vida e renovação –, o mar, os lagos e o fundo dos rios – local onde vivem os sobrenaturais.

Para os Palikur, a Cobra de Sete Cabeças vivia antigamente na terra. Ela não gostava de mau cheiro. Um dia, uma mulher menstruada foi tomar banho no rio onde a Cobra morava. Esta ficou revoltada e decidiu ir embora. O corpo da Cobra perguntou às Sete Cabeças onde gostariam de morar. Todas, individualmente, responderam que gostariam de ir ao céu, ‘porque lá é tranqüilo e tem de tudo’. Para a viagem, decidiram pegar alguém para acompanhá-las. Um jovem pajé aceitou o convite. ‘Pode entrar no barco’, disse a Cobra. Mas o barco não era um barco, era uma Cobra Grande. O pajé subiu na cabeça da Cobra e ficou em pé. Uma vez no céu e a Cobra de Sete Cabeças instalada, o pajé disse: ‘Quando for dia de chuva, tu vais aparecer para todos te observarem da terra. Aos que olharem para o céu, aparecerás como estrela’. O pajé se despediu da Cobra e foi embora. Aí, na época da chuva, a chuva começou a cair e depois passou. São as Sete Estrelas, Laposiniê.

Kayeb, a grande cobra bicéfala, está entre as constelações mais importantes na astronomia Palikur, porque, diz-se, o Kayeb traz as primeiras chuvas que marcam o fim da estação seca e coincidem com o solstício de dezembro. Ao longo dos sete meses que se seguem, quatro diferentes chuvas sucedem-se, cada uma delas associada com os movimentos de nove constelações específicas. É a chuva do Kayeb que marca o tempo do plantio da mandioca, as cheias do rio Urucauá e o começo do ciclo úmido anual naquela região.