Casa: farinha e ralador | o universo da casa | os Galibi Kali'na
O processamento da mandioca, da qual existem muitas espécies, se realiza na casa de farinha, chamada naquela região de cabê (do francês carbet), uma pequena construção aberta, com teto de palha, edificada nas roças ou na cercania de um igarapé.
As mulheres de uma família extensa, muitas vezes com a ajuda dos homens, processam, cotidianamente, estes tubérculos para o consumo e a venda. A produção é enorme; algumas aldeias conseguem exportar, especialmente para a Guiana, no caso dos Palikur, mais de duas toneladas por mês.
O ralador é o artefato mais precioso. Pela sua manufatura e significado simbólico se destaca dos demais objetos utilizados para o processamento da mandioca. A fabricação do ralador é executada por poucos artesãos, especialistas que trabalham por encomenda de homens chefes de famílias extensas, revelando uma rede de relações de trocas dentro e entre as aldeias.
O ralador é feito de uma tábua de madeira, geralmente louro, lavrada em uma peça só. O ralo em si é formado por fileiras de pontas de ferro bem afiadas, incrustadas, seguindo um desenho geométrico que otimiza a eficácia do ralador. Estas pontas são finas lascas, extraídas de velhas panelas de ferro, quase arqueológicas, de fabricação francesa, hoje encontradas apenas na Guiana Francesa.

