Objetos: marcas e grafismos | colheres de madeira | cuias | cestaria | esculturas
As marcas (mac, em patoá) formam um conjunto expressivo e específico de motivos decorativos, pintados, gravados, trançados e recortados, em diferentes suportes e objetos da vida cotidiana ou cerimonial. Apesar da grande padronização dos motivos, cada artesão tem seu estilo, sua excelência técnica e artística. Novas marcas podem ser inventadas e algumas, meio esquecidas, relembradas.
Tradicionalmente, estas marcas são sempre motivos geométricos, abstratos e nomeados. Representam, enquanto ícones, espécimes da flora e da fauna, especialmente a pele, as escamas, cascos e rastros de animais, cascas de árvores e elementos naturais, como estrelas ou nuvens. Atualmente, há desenhos mais figurativos, reproduzindo cenas do cotidiano, da mitologia ou copiados de revistas e livros.
Os homens sonham as marcas ensinadas pelas entidades (karuãna), geralmente pela mediação do pajé, que as repassa para os artesãos responsáveis pela manufatura de mastros e bancos cerimoniais. As mulheres dizem seguir a tradição ou fazer algo orientado pelo seu próprio espírito. Um acervo convencional, mas aberto a variações e novos padrões.
Quando as marcas são pintadas, os artesãos usam cores naturais de origem vegetal ou mineral, especialmente o urucu, o jenipapo e cumatê, ou corantes comprados no comércio de Oiapoque. O matizado da cestaria é obtido passando o preto da fuligem nas talas de arumã.

