Turé: xamanismo e turé | caxiri
O caxiri, sempre preparado pelas mulheres, é uma bebida fermentada indígena, um tipo de cerveja, à base de mandioca e consumida em todas as aldeias da região. O caxiri é preparado em grandes quantidades durante as festas indígenas e os mutirões, ou trabalhos coletivos, na derrubada ou plantio das roças. É também uma bebida que permite ao pajé o acesso ao mundo do sobrenatural, durante os rituais do Turé e da tocai. Nestas ocasiões, tanto o pote quanto o caxiri, transformam-se em “entidades sobrenaturais”, presentes também na cosmologia indígena.
No contexto ritual, é um grupo de mulheres que se encarrega do preparo, longe do olhar dos homens. Preparam no forno um grande beiju de mandioca ralada e prensada. Para revirar o beiju, elas o desenham e recortam em fatias (como se faz com uma pizza). Isto chama-se pataje kasab, que configura um padrão decorativo usado em muitos suportes, especialmente nos trançados. Este beiju é colocado com água em um pote grande, adicionando-se açúcar ou mel, às vezes um xarope de abacaxi.
Antes de ser deixado para descansar e fermentar, as mulheres se reúnem ao redor do pote, cantam cantos xamânicos e colocam, no fundo do pote, emborcada, uma pequena cuia com folhas de abacaxi. Dizem que quando a bebida fermenta, a cuia sobe à superfície, o que é sinal de que ela está boa para ser consumida. Se a cuia não sobe, a bebida não presta.

