Descrição
Os Galibi-Marworno são um povo indígena do norte do Amapá, cuja identidade atual resulta de um processo histórico de formação interétnica. Segundo o site do Instituto Socioambiental (ISA), trata-se de um povo que se define como “misturado e unido”, originado da articulação entre diferentes grupos indígenas (como Aruã, Maraon, Karipuna e outros) e também de contatos com não indígenas, sobretudo ao longo das dinâmicas de fronteira entre Brasil e Guiana Francesa. Sua autodenominação é relativamente recente e expressa um processo político e identitário de diferenciação em relação a outros grupos chamados “Galibi”.
Historicamente, a relação com os não indígenas (os “brancos”) foi marcada por deslocamentos, missões religiosas e políticas estatais. Parte desses grupos teve origem em populações que passaram por missões jesuíticas na Guiana Francesa e foram empurradas para o interior durante conflitos coloniais entre franceses e portugueses. Já no século XX, a atuação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) promoveu a concentração da população em aldeias como Kumarumã e incentivou o uso do português, impactando práticas culturais e linguísticas, posteriormente retomadas com políticas diferenciadas e valorização do Kheuól como língua materna.
Atualmente, os Galibi-Marworno habitam principalmente a Terra Indígena Uaçá, no município de Oiapoque, em uma região de savanas, campos alagados e rios próximos à fronteira internacional. Seu território está articulado ao rio Uaçá, que deságua no estuário do rio Oiapoque, configurando um espaço de intensa circulação histórica e cultural. Nesse contexto, mantêm uma organização social e cultural própria, com forte vida ritual (como o Turé) e uso do Kheuól como língua de comunicação interétnica, ao lado de práticas que reafirmam sua identidade coletiva.